19 de abr. de 2009

Official Girl

Princesinha do papai, fofinha da mamãe, Deborinha do irmão. E eu me acostumei a te ver assim. Mas isso não pode ser assim sempre, certo? Afinal, é seu aniversário. (Tudo bem que na verdade foi ontem, mas ontem foi um dia cheio e em uma parte dele, eu estava com você, afinal de contas). Afinal, você, eu e um punhado de pessoas sabemos que você não é mais tão criança assim. Como disse alguém uma vez, depois dos quinze menina vira mulher. Bem, você está crescendo. Você está maior que eu, e eu sempre fui maior que você. Talvez um dia eu supere, ou não. Talvez eu só supere se seus pés continuarem crescendo e você me doar todos aqueles teus sapatos que eu amo tanto. A questão é que você está velha. Não velha. Mas mais velha. Velha o suficiente pra decidir certas coisas. Apenas algumas delas, afinal você ainda não é dona do seu nariz.
Aniversários são legais. Não porque as pessoas envelhecem ou coisa assim. Simplesmente porque é quando as pessoas te provam o quanto você é especial. Primeiramente, sinta-se muito importante, porque esse é o primeiro post "de verdade" desse blog. Segundo, porque você sabe que - mesmo com todo o tempo que perdemos nos odiando quando éramos menores - eu te amo, amiga. E você é a minha 'bext'. E mesmo que o tempo, as novas amizades, e o PAS (haha) nos separe, tudo que nós passamos juntas vai ficar. Como eu poderia agradecer todas as conversas - no meio da aula, de madrugada, no telefone, ou no msn -, todas as festas - que nem foram tantas, mas foram inesquecíveis -, todas as risadas - histéricas ou não -, todos os sorrisos ou lágrimas, todo o apoio que você me deu quando eu mais precisei? Você não é minha melhor amiga só porque toda a sua família me ama (COF) e porque você tem comida gostosa e canais de tv supimpas na sua casa. Isso também conta muito (COF), mas o mais importante é que eu sempre pude contar com você. Você estava lá comigo no momento mais difícil, e mesmo sem saber o que dizer, trouxe todo o conforto. Simplesmente por estar presente. Por dar o abraço e o sorriso que melhoraram o dia.
Obrigada, mil vezes obrigada. Por me acompanhar, por me ouvir, por me aguentar, por me amar, por me acolher. Obrigada por ser você. Obrigada por ter existido na minha vida. E pode ter certeza que eu vou fazer o que eu puder pra retribuir isso. Que faça chuva ou faça sol, você só precisa me ligar, e eu estarei com você. Pra tudo.
Parabéns, Débora. Muita saúde, muita paz, muitos gatchênhos, muito besteirol, muitas festas, muitas risadas, muitas roupas lindas, muitas viagens perfeitas, muitas fotos, muita maqueagem (bem feita), muitos filmes fofos, muitas músicas lindas, muitos abraços, muitos beijos, muitas baladas com amigas e encontros com a família. Que Deus te abençoe hoje e sempre - mesmo você não acreditando nele, er. Que você continue realizando todos os seus sonhos. Mas principalmente, que mesmo sendo mulher por fora, possa sonhar e sorrir como a Deborinha princesinha fofinha.

Beijomeliga, bext diva. Passa gloss e diz que é gatinha. (k)

10 de abr. de 2009

The Story of a Girl

Era uma vez uma garota. Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam. Um dia, um anjo bateu em sua porta e chamou-a para passear.
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos; eles respiravam de antemão o ar que estava à frente. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque brilhava o brilho deles, a boca ficando seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.
Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos. E ele foi embora, tão rápido como quando chegou.
Ela começara a adivinhar que ele a escolhera para ela sofrer. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceitava: como se quem queria fazê-la sofrer estivesse precisando danadamente que ela sofresse. Porque ela fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, ela amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque ela, só por ter tido carinho, pensou que amar é fácil. O amor é tão mais fatal do que ela havia pensado, o amor é tão mais inerente quanto à própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça - que se chama paixão.
"Eu te odeio", disse ela para ele, cujo crime único era o de não amá-la. "Eu te odeio", disse muito apressada, fazendo de conta que ela não estava chorando por dentro - pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver. Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira, desviou subitamente o rosto e olhou uma árvore. Seu coração não bateu no peito, o coração batia oco entre o estômago e os intestinos.
E então, passou a vida tentando corrigir os erros que cometeu na sua ânsia de acertar. Ali estava ela, a menina esperta demais, e eis que tudo o que nela não prestava servia a Deus e aos homens. Tudo o que nela não prestava era o seu tesouro. Aliás – descobre ela agora - ela também não faz a menor falta, e até o que escreve, um outro escreveria.
Ela sente a falta dele, como se a faltasse um dente na frente: excruciante. Sente saudades de tudo que marcou sua vida. Quando vê retratos, quando sente cheiros, quando escuta uma voz, quando se lembra do passado, ela sente saudades... Sente saudades de quem a deixou e de quem ela deixou! De quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem a conhecer direito, de quem nunca vai ter a oportunidade de conhecer. Sente saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências... E é por isso que ela tem mais saudades... Porque encontrou essa prova inequívoca de que é sensível! De que ama muito o que tem e lamenta as coisas boas que perdeu ao longo de sua existência.
Essa garota perdeu uma coisa que lhe era essencial, e que já não me é mais. Não lhe é necessária, assim como se ela tivesse perdido uma terceira perna que até então a impossibilitava de andar, mas que fazia dela um tripé estável. Essa terceira perna ela perdeu. E voltou a ser uma pessoa que nunca foi. Voltou a ter o que nunca teve: apenas as duas pernas. Sabe que somente com duas pernas é que pode caminhar. Mas a ausência inútil da terceira lhe faz falta e lhe assusta, era ela que fazia da garota uma coisa encontrável por ela mesma, e sem sequer precisar lhe procurar.
Começou então a sonhar com aquilo que ela quer, ir para onde ela quer ir, ser o que ela quer ser. Porque ela possui apenas uma vida e nela só tem uma chance de fazer aquilo que quer. Tenta a cada dia ter felicidade bastante para fazê-la doce, dificuldades para fazê-la forte, tristeza para fazê-la humana, e esperança suficiente para fazê-la feliz.
Descobriu que as pessoas mais felizes não têm as melhores coisas, elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram, para aqueles que se machucam, para aqueles que buscam e tentam sempre, e para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas. O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.
Percebeu que só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. A vida não é de se brincar, porque em pleno dia se morre.


Adaptação de textos de Clarice Lispector.